segunda-feira, 11 de novembro de 2019

O Ensino EaD na História do Indivíduo.

O princípio do homem das cavernas. por Thynus, em 30.05.13

Ao longo das eras, a humanidade tem buscado formas mais eficientes para repassar seus conhecimentos, história e experiências. Do início, ao se sentar em volta do fogo e reproduzir oralmente seus conhecimentos pelos mais velhos, até a atualidade, com os conteúdos em 'nuvem' de domínio dos mais jovens, a tecnologia e inovação se baseia em seu passada para aprimorar o seu futuro.

Dentre as tecnologias mais recentes, cada qual assumindo seu papel e sendo rebatida pela tecnologia anterior com o argumento do compromisso do saber não desenvolvido, permitiu que o avanço dos vários saberes não se perdesse em uma mera evolução sem lastro. Neste sentido, podemos citar Sócrates que não deixou nada escrito, possivelmente entendendo que o saber escrito se encontrava pronto, e como expoente do "sei que nada sei", coube a Platão entre outros os seus registros.

O fato é que todas as tecnologias devem ser utilizadas para a construção do saber humano. Nenhuma pode ter por princípio invalidar a anterior ou as anteriores. A educação se faz por meios dos discursos retóricos, por meio do aprendizado em sala de aula, por meio de discussões de opiniões diferentes e distintas. A educação continuada precisa de seus registros para além da oralidade dos indivíduos. Por isto, livros, programas de tv's, programas de rádio e web são necessários.

Tais ferramentas viabilizam a pesquisa individual de temas específicos para cada um, tornando-o único em razão de sua busca para saciar a curiosidade íntima. Cada sistema de arquivo de conteúdo tem o seu valor e em determinado tempo atendeu as demandas de grupos específicos sociais, acumulando para além de registros, a pavimentação do futuro.

A característica de se ler um livro, permite que o conhecimento se associe ao seu cognitivo ao tocar o objeto, grifar, escrever, voltar, procurar o que se quer e parar quando lhe convém. A característica da educação televisiva, permite associar o conhecimento ao lado sensorial. Via rádio, também sensorial, desperta ao que busca o saber a necessidade da atenção e ativa o imaginário, restritos aos programas de tv que mostram exatamente o que querem que seja visto. A web, oferece a velocidade e a capacidade do indivíduo de ser sucinto em suas buscas. Todas juntas, permitem que seja construído o inimaginável.

Desta forma, cabe pensar como viabilizar que todas as tecnologias se mantenham sincronizadas, permitindo que através de seu melhor, seja oferecido ao indivíduo o desenvolvimento científico. Analisando por experiências individuais e percebidas pelas relações estabelecidas, o ensino EaD poderia coadunar todas estas tecnologias de diferentes formas. Na plataforma, oferecer acesso aos livros físicos e digitais, referenciar programas de TV’s que são veiculados ou que poderiam ser acessados via arquivos digitais, que os rádios oferecessem nos automóveis, acesso on line para programas já apresentados ou que se possa gravar para uso bibliográfico posterior.

Um verdadeiro arcabouço de soluções inventivas poderia ser utilizado e melhorada em razão das possibilidades que a web oferece, e da competência técnica de cada sujeito, que percebendo o caminho, pavimentará a estrada.


sábado, 9 de novembro de 2019

Uma Reflexão

Percebo que existe uma mudança considerável na dinâmica do conhecimento científico, em que muitas variáveis devem ser consideradas para não tratar o assunto de maneira simplista e assim, com proposições bem escritas, porém rasas.

"Sou de hoje e de outrora, disse então; mas há algo em mim que é de amanhã e de depois de amanhã e do porvir. Cansei-me dos poetas, dos velhos e dos novos: Superficiais ele todos são para mim, mares rasos. 
Não pensaram bastante das profundezas: com isso seu sentimento não mergulhou até o fundo. Alguma volúpia e algum tédio: ainda é isso o melhor das suas reflexões. Um sopro e um deslizar de fantasmas me parecem todos os seus harpejos; que sabem eles até hoje do ardor dos sons! Para mim tampouco são bastante puros: turvam todas as suas águas, para que pareçam profundas. (grifo meu). E gostam de se apresentar como conciliadores; mas para mim permanecem mediadores e misturadores e meio isto e meio aquilo, e impuros!" - NIETZSCHE, Friedrich. "Also sprach Zarathustra", 1954, p.381-384.

Após a leitura dos artigos, fica a conclusão que atualmente, a academia está exposta a trabalhos com fontes não confiáveis e a incorrer em plágio. Verdades óbvias que além de não propor uma solução para o problema, deixa-o solto, sem perspectiva de elaboração.

Devemos considerar que houve uma mudança no comportamento das relações humanas advindos com a internet. O indivíduo passou a olhar para si e para o outro, e a se relacionar com o mundo de uma maneira completamente diferente. De forma que não podemos esperar que padrões tradicionais, mesmo de pesquisa científica, se sustentem na era "Google". O objetivo de uma pesquisa científica é a solução para os problemas e questões humanos (ou deveria ser). Primeiramente, aceitar que a internet agiliza os conteúdos é fundamental. Mas estes serão sempre dados que a partir de determinado momento, estando combinados dentro do pesquisador, ainda que seja o mesmo assunto, haverá um olhar diferente e contundente.

A questão das fontes não confiáveis, caem por terra quando o meio é mais importante que o final. Não estou dizendo que uma pesquisa não deva haver a preocupação de fontes confiáveis. Estou dizendo que apenas isto não é o bastante. Rebeca Emerich Loreti, Clayton Franklin Queiroz, Luciana Rocha Cardoso, Roney Soares Brandão, Andréia Almeida Mendes no primeiro texto dizem que "ATUALIDADE: verificar a data da publicação, principalmente em casos de dados estatísticos e opiniões tecnológicas.", contudo, citam por várias vezes Faqueti (1999) como referência de conteúdo. Eles escreveram o artigo em 2017, ou seja, usando uma referência de 18 anos. Não critico o status quo da informação. Eu mesma citei um livro de 65 anos de Nietzsche inicialmente. Estou levantando a questão que, se tratando de um assunto cujas informações são instantâneas como no caso da internet, os elaboradores do belo artigo, para mim, se contradisseram. ‘-Mas é uma referencia apenas!’ Muitos poderão argumentar. Sim, mas com toda certeza, há referencia mais atualizada que a usada de Faqueti de 1999 sobre o tema internet. A referência poderia ser desta mesma acadêmica, pois tem um artigo de 2017 sobre a gestão do conhecimento nas Bibliotecas das IES – Instituições de Ensino Superior, que fala que “Finally, it is recommended further studies to deepen the debate, it is necessary to seek new organizational structures or rethink it in order to facilitate the development of a more innovative and creative management. (Por fim, recomenda-se aprofundar os estudos para aprofundar o debate, é necessário buscar novas estruturas organizacionais ou repensá-lo, a fim de facilitar o desenvolvimento de uma gestão mais inovadora e criativa)”.

E o texto dois fornece dados antagônicos, contraditórios ou mentirosos. Diz que a pesquisa é de fevereiro de 2009, contudo, os gráficos datam de 2008. Os gráficos são a interpretação da pesquisa. Não faz o menor sentido serem elaborados antes desta.

Enfim, não adianta escrever certo a coisa errada. “Turvam-se as aguas para parecerem profundas!” Deve-se estimular hoje no pesquisador, um profundo sentimento de responsabilidade com o conhecimento. De responsabilidade com o seu saber construído, antes mesmo de ensinar  como expressá-lo por meio de regras e normas padronizadas para que seja efetivado e reconhecido como conhecimento científico.

De forma que, esta é de fato a cerne da preocupação quanto a fontes não confiáveis e ao plágio. A primeira, o pesquisador tem que receber a educação do olhar crítico e preocupação com a verdade. Quanto a segunda, é uma questão de moralidade, por isto que plágio é crime.

Política Pública: Discussão de Conceitos – Waner Gonçalves Lima.

O texto ‘Política pública: discussão de conceitos, busca à compreensão epistemológica do termo ‘política’, e dentre tantas, aderência a significância da aplicação na língua inglesa. Nesta, encontram-se duas traduções ao termo que inicialmente distinguem as considerações futuras que o autor trás para sua  tipologia: política como aparato estatal, aderindo ao eixo de Bobbio apud Secchi: recursos necessários para o exercício do poder sobre o homem, qual associa politics, e policy, que segundo Secchi (2014), refere-se à de James Quinn Wilson que “formulou sua tipologia adotando o critério da distribuição dos custos e benefícios da política pública na sociedade.

Neste momento, distingue-se claramente as duas abordagens, a estatista (state centered policy-making) que “considera as políticas públicas, analiticamente, monopólio de atores estatais” e a abordagem multicêntrica, que “considera organizações privadas, organizações não governamentais, organismos multilaterais, redes de políticas públicas (policy networks), juntamente com os atores estatais, protagonistas no estabelecimento das políticas públicas” (SECCHI, 2014, p. 2). 

O autor expressa que o objetivo não é a defesa de qual significado é o adequado, e ainda propõe que sejam refletidas novas denominações. Analisa a questão das políticas privadas de interesse público e considera a denominação política pública estatal. 

Contudo, para mim, sendo o termo de origem no grego politiká, uma derivação de polis que designa aquilo que é público e tikós, que se refere ao bem comum de todas as pessoas, ‘política pública’ já é o suficiente para a construção de medidas de execução relacionadas às reparações de desigualdades sociais e ao bem estar dos cidadãos. O escrutínio quanto a identificação de determinada ação em estímulo ao desenvolvimento humano ter ou não origem no interesse privado, não mudará o resultado advindo, que por vezes, pode ser como um ‘teste’ antes de aplicar em uma legislação vigente.

Acredito que o conceito de Estado Democrático de Direito (polytics) deva existir para assegurar que os avanços a vida humana cidadã não retroajam quando da mudança de governos. Para além de garantias jurídicas dos direitos civis, por meio de um aparato jurídico estatal, a própria sociedade composta por todos os seus protagonistas faz ‘a política’, e por estarem inseridos dentro do mesmo espaço de discursão, progresso e desenvolvimento devem participar e atuar como agentes de construção coletiva.

A dificuldade é em saber se determinada ação é estimulada por um aperfeiçoamento de senso de justiça e igualdade ou fantasiada, onde escondendo o interesse do capitalismo sem escrúpulos (se é que capitalismo tem escrúpulos), objetiva apenas formas de lucro exorbitantes por meio da exploração, o que na prática por séculos acaba traduzindo-se em desigualdade e não equidade.



Arranjo Produtivo Local - APLs

Nos últimos tempos os Arranjos Produtivos Locais (APLs), se mostraram como uma importante ferramenta de política econômica, sendo ela local ou regional. Aglomerações de várias empresas de mesmo produto ou serviço e de portes distintos, estão na discussão central de debate atual no que tange planejamento regional e ações públicas.

Neste sentido, as APLs – Arranjo Produtivo Local, é considerado um arranjo produtivo, aglomerações de empresas que levem em consideração algumas características similares entre si que levam a geração de cooperação e confiança entre seus componentes. 

Uma das características a serem levadas em conta é a proximidade territorial entre as partes integrantes, essa por sua vez possibilita um estreitamento dos laços de confiança e cooperação. Assim, parcerias podem ser criadas objetivando o fomento de associações e consórcios. Dentro de APL estruturada é possível um compartilhamento de mão de obra, matéria prima, máquinas e equipamentos, serviços especializados de logística, possibilitando as organizações dentro do arranjo alcançar competências que individualmente não seria possível com ações isoladas ou individuais.

Diante de tudo que se propõem, as APLs como importante ferramenta de política de desenvolvimento, o Estado exerce um papel importante de coordenar decisões econômicas, estabelecimento normas e ajustando as ações de acordo com a necessidade do desenvolvimento de regiões menos favorecidas. Ainda, a participação no planejamento das ações, deve acontecer com o conhecimento e participação da sociedade civil, para o êxito de forma consolidada das APLs.

Uma parte considerável da ação pública que torna material o apoio ao desenvolvimento destes aglomerados, necessita de uma agenda definida que direcione e dê conexão a intervenção, tornando a ação do Estado mais eficaz e aprimorada. Assim sendo, o processo de planejamento tem inclinação de efetividade em âmbito local, uma vez que se faz necessário considerar a proximidade dos problemas e a expressão dos envolvidos.

A ocorrência de interação e cooperação produtivas vem sendo observadas em diversas regiões do mundo ao longo da história. No Brasil, o conceito de Arranjo Produtivo Local passou a ser muito utilizadas por instituições públicas e privadas, onde é reconhecido o empenho na realização de análises e pesquisas práticas sobre os APLs desenvolvido pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, dentro do programa Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais (RedeSist), que pela sua visão apresenta APLs como “(...) aglomerações territoriais de agentes econômicos, políticos e sociais com foco em um conjunto específico de atividades econômicas que apresentam vínculos, mesmo que sejam incipientes” (Zapata; Amorim; Arns, 2007, p. 73).

Atualmente, a expansão territorial voltou a ser destaque como uma forma de entender o surgimento das aglomerações de micro e pequenas empresas em determinadas regiões. Assim, destaca Castanhar: 
“Os casos que inicialmente despertaram o interesse de pesquisadores e estudiosos e que se transformaram em referência para toda uma vertente de economia voltada para o estudo do desenvolvimento regional foram os distritos industriais existentes no norte e no nordeste da Itália – a chamada Terceira Itália – e o aglomerado de empresas de alta tecnologia e software que se localizaram na região da Califórnia, nos EUA, que veio a ser conhecida como vale do Silício. (Castanhar, 2006).

A definição de distritos industriais foi introduzida pelo economista inglês Alfred Marshall/ no fim do século 19. Esse conceito advém de uma organização de pequenas firmas concentradas na produção de produtos específicos na periferia dos centros produtores da Inglaterra nesse período.

Sem dúvida, entre as várias estratégias de desenvolvimento local ou de consolidação de sistema produtivo local, os distritos industriais italianos são aqueles que mais se aproximam do tipo-ideal marshalliano, quer dizer, uma aglomeração de pequenas empresas organizadas por uma divisão de trabalho baseada no equilíbrio entre concorrência e cooperação, funcionando sobre uma intrincada relação em rede, impulsionada por inovações contínuas e especializada na produção de produtos de alta qualidade (Amaral Filho et al., 2002).

De acordo com Castanhar (2006), é possível se observar uma relação entre a esfera social, política e econômica no sistema produtivo, sendo assim, para que o resultado do distrito seja bem sucedido devem-se observar além da dimensão econômica, as dimensões social e político-institucional. Foi observado que a cooperação desenvolvida entre as empresas aglomeradas nesses distritos se mostrou uma importante característica para a elevada taxa de crescimento das exportações. A Secretaria de Programas Regionais do Ministério da Integração Nacional mapeia e incentiva que conjuntos determinados de atividades econômicas que possuem entre si vínculos, se desenvolvam por aglomerações territoriais de agentes políticos, econômicos e sociais.

Os arranjos produtivos locais demonstram ser uma forma considerável de se desenvolver regiões periféricas, bem como o resultado de políticas bem planejadas e aplicadas tendo como objetivo comum o desenvolvimento regional. Fato evidenciado nos questionários de pesquisa elaborados, onde foi solicitado ainda que os gestores, indicassem outros fatores que estimulam o desenvolvimento local e regional. O resultado mostrou que o Fomento dos APLs foi o fator catalisador do desenvolvimento, sendo assim apontado como o mais relevante pelos participantes da pesquisa. 


Referência de artigo:
Nogueira Dias, Cleidson. Arranjos Produtivos Locais (APLs) como Estratégia de Desenvolvimento - Desenvolvimento em Questão, vol. 9, núm. 17, enero-junio, 2011, pp. 93-122 Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do SulIjuí, Brasil Disponível em: https://revistas.unijui.edu.br/index.php/desenvolvimentoemquestao/article/view/52/>Acesso em: 02 fev. 2019. 

Referencias da ABNET utilizadas:

ABNT NBR 6023, Segunda edição 
Informação e documentação — Referências — Elaboração.
NBR 6028
Informação e documentação - Resumo – Apresentação.
NBR 6023
Informação e documentação - Referências – Elaboração
Tema Principal do Artigo:
Arranjo Produtivo Local - APLs
Objetivo Principal do Artigo:
Definir o conceito de APLs e sua atual aplicação.

Metodologia utilizada:
O meio utilizado para a pesquisa foi à bibliográfica, se valendo além de publicações técnicas e acadêmicas, material interno de órgão público restritos ao público em geral, o fim da pesquisa foi exploratória, tendo em vista que na área abordada existe pouco conhecimento adquirido e sistematizado.


INDICADORES SOCIAIS



Um sistema de indicador social é um conjunto de dados estatísticos, que traduz de forma mensurável aspectos da realidade ou área de intervenção programática. Tem quatro etapas distintas: 01 – Definição da área que pretende abranger, 02 – Dimensionamento e tradução dos resultados por meio da leitura do objeto específico, 03 Dados estatísticos, 04 – combinação dos mais variados dados estatísticos para obtenção de resultados comparativos.



Figura: 01 - Fonte: Elaboração de Indicadores Sociais.

Os indicadores sociais não fornecem o valor ideal a ser atingido, mas é sem questionamento, um importante instrumento para acompanhamento das desigualdades e estabelecimento de métricas ao atendimento mínimo para desenvolvimento humano, evidenciando principalmente grupos vulneráveis específicos.

Para entender melhor o que significa, usemos o IDH - Índice de Desenvolvimento Humano, que tem como critérios utilizados os indicadores de educação (alfabetização e taxa de matrícula), longevidade (esperança de vida ao nascer) e renda (PIB per capita). O PIB per capta, Produto Interno Bruto, é calculado pela divisão da produção pela população. Este cálculo não permite avaliar a diferença na distribuição de renda entre pobres e ricos, pois como o próprio índice diz, é um valor ‘bruto’ ou total. Retomando o IDH, se determinada população tem, como acontece em todas as regiões do mundo, uma grande concentração de riqueza nas mãos de poucos e a maioria permanecendo na linha da pobreza, este índice pode apresentar uma população com bom índice de desenvolvimento, sendo que é sabido ser impossível haver desenvolvimento humano com a presença da pobreza extrema. Assim, o índice apenas, não evidenciará a realidade das comunidades com seus aspectos históricos e culturais, e principalmente a vulnerabilidade, de grupos sociais que sofrem por falta de acesso aos direitos humanos básicos.



Figura: 02 - Fonte: Produção Própria.

Como apresentado na figura 01, de Januzzi, os indicadores sociais necessitam de uma temática e de dados confiáveis para sua elaboração. Quanto a temática, este relatório tratará da importância dos indicadores por gênero, com foco nas ações internacionais, para uma reparação para além da história, e sobre tudo agravada pela exploração econômica.

O primeiro recenseamento da população brasileira se deu em 1872. Mas informações sobre as condições de vida de grupos específicos, se avolumou nos anos de 1970, quando houve um movimento de trabalhos dos indicadores sociais em todo o mundo. Embora tenham demandas comuns ao restante da população, as mulheres por causa de suas características próprias, se tornam objeto de políticas distintas, para além do interesse geral, por estarem mais vulneráveis e mais expostos a diferentes formas de discriminação, violência e o impacto negativo das crises econômicas. Para ao recorte de gênero, que evidencia a vida das mulheres o mais próximo da realidade como grupo vulnerável, os dados coletados pelos recenseamentos foram cruzados, servindo de bases, por meio destas múltiplas leituras, para construção de políticas públicas para promoção das desigualdades sociais historicamente enraizadas em nosso país.

O indicador escolhido para análise, ou melhor, o tema qual se acumulam vários indicadores, é a abordagem de gênero nas estatísticas sociais. É o movimento feminista, que pelo reconhecimento dos direitos das mulheres nas suas mais distintas dimensões de vida, pública e privadas, dentro do processo histórico que promoveu que os acordos e convenções internacionais fossem inseridos dentro da pauta com proposições assertivas, buscando evidenciar a realidade e condições de vida das mulheres ao redor do mundo.

Em 1948, a ONU em sua carta proclamada de Direitos Humanos Universais, afirma que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos” incluindo o sexo como fator de relevância para que não haja distinção de tratamento.

Após, em 1946, foi criada a CSW – Comission on de the Status of Womem, com a função de formular recomendações sobre a promoção dos direitos das mulheres nas áreas da política, econômica, civil, social, social e educacional, tornando-se o principal órgão intergovernamental global dedicado exclusivamente à promoção de igualdade de gênero e ao empoderamento das mulheres em suas mais variadas atuações de vida.

Em 1979, na Assembleia Geral da ONU foi criada a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, descrita como a Carta Internacional dos Direitos da Mulher, qual os participantes destas nações, com amplificação mundial, sem comprometem não apenas em combater a discriminação da mulher, mas também em estimular estratégias de promoção da igualdade de gênero por estimulo a ações afirmativas.

Em 1994 a OEA – Organization of American States, ratificou a Convenção Interamericana, também conhecida como Convenção de Belém do Pará, que propunha prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher.

No ano de 1995, em Pequim, na China, a IV Conferência Mundial sobre as Mulheres, estabeleceu uma agenda para o empoderamento das mulheres, definindo seus direitos como direitos humanos e comprometendo-se com ações específicas para garantir a realização desses direitos. A plataforma de Ação de Pequim, apontou as seguintes áreas críticas:

  • Crescente pobreza feminina,
  • Acesso igual a educação e formação,
  • Acesso desigual aos cuidados de saúde e serviços relacionados,
  • Violência contra mulheres,
  • Efeitos dos conflitos armados sobre as mulheres,
  • Desigualdades nas estruturas econômicas e políticas,
  • Formas de atividades produtivas e no acesso aos recursos,
  • Desigualdade entre homens e mulheres na partilha de poder e tomada de decisões em todos os níveis,
  • Mecanismos insuficientes em todos os níveis para promover o avanço das mulheres,
  • Inadequada promoção e proteção dos direitos humanos das mulheres,
  • Estereotiparão das mulheres e desigualdade no acesso destas a todos os sistemas de comunicação,
  • Desigualdades de gênero na gestão dos recursos naturais e na proteção do meio ambiente,
  • Discriminação persistente e violação dos direitos da criança do sexo feminino.


Em 2000, 189 nações firmaram um compromisso para combater a extrema pobreza e outros males da sociedade no que ficou conhecido como a Cúpula do Milênio da ONU. Foi estabelecido 8 Objetivos de desenvolvimento do Milênio – ODM, para serem alcançados até 2015, e dois destes, tratava especificamente de questões relativas a gênero: o ODM 3 (Igualdade entre os sexos e autonomia das mulheres) e ODM 5 (melhorar a saúde materna).

Em 2015 por ocasião da Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, foram adotadas os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS, também conhecidos como Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, ou Agenda 2030, que orientou as políticas nacionais e as atividades de cooperação internacional para os 15 anos seguintes. O framework dos ODS é composto por 17 objetivos e 169 metas. Mas é o ODS 17.18 de relevância para este relatório. Diz: “(...) aumentar significativamente a disponibilidade de dados de alta qualidade, atuais, e confiáveis, desagregados por renda, GÊNERO, idade, raça, etnia, status migratório, deficiência, localização geográfica e outras características relevantes em contextos nacionais, tornando-se uma grande conquista, principalmente no campo de dados.

Amplia-se assim, o número de indicadores passíveis de análise sob a perspectiva de gênero para além da ODS 5, apontando para a transversalidade da análise do sistema e evidenciando as desigualdades conjugadas e cumulativas quanto analisa-se indicadores de gênero associados as demais variáveis de desagregação propostas.

Dentre todas as ações internacionais que passaram a ser desenvolvidas em atendimento aos Objetivos do Milênio, a primeira reunião da CRPD – Confrencia Regional sobre População e Desenvolvimento, que ocorreu no Uruguai, em 2013, tendo como objetivo examinar o progresso desta agenda na América Latina e no Caribe nos últimos 20 anos e identificar passos fundamentais para reforçar a sua implementação, com ênfase nas questões regionais. Esta reunião, também conhecida como O Conselho de Montevidéu, indicou 10 medidas prioritárias que os países signatários, incluindo o Brasil, se comprometem a monitorar por meio de um conjunto de indicadores. De uma forma geral, a discussão concernente às questões de gênero na América Latina e Caribe tem se dado de forma mais ampla e progressista que em nível mundial.

No Brasil, esta série histórica de recomendações e diretrizes internacionais, associadas a conferências e fóruns de discussão nacionais e regionais sobre políticas para as mulheres resultou na criação, em 2003, da Secretaria Especial de Políticas para as mulheres e na elaboração do I Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, em 2004. Em 2007, ocorreu a II Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que sistematizou um conjunto de propostas e demandas aos estados brasileiros resultando no II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. A III Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, deu origem ao PNPM com vigência de dois anos.

Contudo, os indicadores mostram que há ainda muito a se percorrer para que esse objetivo se concretize, considerando todas as dimensões que envolvem e reforçam as iniquidades históricas entre homens e mulheres.

Exposição de caso no setor hoteleiro.

https://apatria.org/ambiente/desenvolvimento-sustentavel-uma-breve-exposicao-de-caso/