Um
sistema de indicador social é um conjunto de dados estatísticos, que traduz de
forma mensurável aspectos da realidade ou área de intervenção programática. Tem
quatro etapas distintas: 01 – Definição da área que pretende abranger, 02 –
Dimensionamento e tradução dos resultados por meio da leitura do objeto
específico, 03 Dados estatísticos, 04 – combinação dos mais variados dados
estatísticos para obtenção de resultados comparativos.
Figura: 01 - Fonte: Elaboração de Indicadores Sociais.
Os
indicadores sociais não fornecem o valor ideal a ser atingido, mas é sem
questionamento, um importante instrumento para acompanhamento das desigualdades
e estabelecimento de métricas ao atendimento mínimo para desenvolvimento
humano, evidenciando principalmente grupos vulneráveis específicos.
Para
entender melhor o que significa, usemos o IDH - Índice de Desenvolvimento
Humano, que tem como critérios utilizados os indicadores de educação
(alfabetização e taxa de matrícula), longevidade (esperança de vida ao nascer)
e renda (PIB per capita). O PIB per capta, Produto Interno Bruto, é calculado
pela divisão da produção pela população. Este cálculo não permite avaliar a
diferença na distribuição de renda entre pobres e ricos, pois como o próprio
índice diz, é um valor ‘bruto’ ou total. Retomando o IDH, se determinada
população tem, como acontece em todas as regiões do mundo, uma grande
concentração de riqueza nas mãos de poucos e a maioria permanecendo na linha da
pobreza, este índice pode apresentar uma população com bom índice de
desenvolvimento, sendo que é sabido ser impossível haver desenvolvimento humano
com a presença da pobreza extrema. Assim, o índice apenas, não evidenciará a
realidade das comunidades com seus aspectos históricos e culturais, e principalmente
a vulnerabilidade, de grupos sociais que sofrem por falta de acesso aos
direitos humanos básicos.
Figura: 02 - Fonte: Produção Própria.
Como
apresentado na figura 01, de Januzzi, os indicadores sociais necessitam de uma
temática e de dados confiáveis para sua elaboração. Quanto a temática, este
relatório tratará da importância dos indicadores por gênero, com foco nas ações
internacionais, para uma reparação para além da história, e sobre tudo agravada
pela exploração econômica.
O
primeiro recenseamento da população brasileira se deu em 1872. Mas informações
sobre as condições de vida de grupos específicos, se avolumou nos anos de 1970,
quando houve um movimento de trabalhos dos indicadores sociais em todo o mundo.
Embora tenham demandas comuns ao restante da população, as mulheres por causa
de suas características próprias, se tornam objeto de políticas distintas, para
além do interesse geral, por estarem mais vulneráveis e mais expostos a
diferentes formas de discriminação, violência e o impacto negativo das crises
econômicas. Para ao recorte de gênero, que evidencia a vida das mulheres o mais
próximo da realidade como grupo vulnerável, os dados coletados pelos
recenseamentos foram cruzados, servindo de bases, por meio destas múltiplas
leituras, para construção de políticas públicas para promoção das desigualdades
sociais historicamente enraizadas em nosso país.
O
indicador escolhido para análise, ou melhor, o tema qual se acumulam vários
indicadores, é a abordagem de gênero nas estatísticas sociais. É o movimento
feminista, que pelo reconhecimento dos direitos das mulheres nas suas mais
distintas dimensões de vida, pública e privadas, dentro do processo histórico que
promoveu que os acordos e convenções internacionais fossem inseridos dentro da
pauta com proposições assertivas, buscando evidenciar a realidade e condições
de vida das mulheres ao redor do mundo.
Em
1948, a ONU em sua carta proclamada de Direitos Humanos Universais, afirma que
“todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”
incluindo o sexo como fator de relevância para que não haja distinção de
tratamento.
Após,
em 1946, foi criada a CSW – Comission on de the Status of Womem, com a função
de formular recomendações sobre a promoção dos direitos das mulheres nas áreas
da política, econômica, civil, social, social e educacional, tornando-se o
principal órgão intergovernamental global dedicado exclusivamente à promoção de
igualdade de gênero e ao empoderamento das mulheres em suas mais variadas
atuações de vida.
Em
1979, na Assembleia Geral da ONU foi criada a Convenção sobre a Eliminação de
Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, descrita como a Carta
Internacional dos Direitos da Mulher, qual os participantes destas nações, com
amplificação mundial, sem comprometem não apenas em combater a discriminação da
mulher, mas também em estimular estratégias de promoção da igualdade de gênero
por estimulo a ações afirmativas.
Em
1994 a OEA – Organization of American States, ratificou a Convenção
Interamericana, também conhecida como Convenção de Belém do Pará, que propunha
prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher.
No
ano de 1995, em Pequim, na China, a IV Conferência Mundial sobre as Mulheres, estabeleceu
uma agenda para o empoderamento das mulheres, definindo seus direitos como
direitos humanos e comprometendo-se com ações específicas para garantir a
realização desses direitos. A plataforma de Ação de Pequim, apontou as
seguintes áreas críticas:
- Crescente pobreza feminina,
- Acesso igual a educação e formação,
- Acesso desigual aos cuidados de saúde e serviços relacionados,
- Violência contra mulheres,
- Efeitos dos conflitos armados sobre as mulheres,
- Desigualdades nas estruturas econômicas e políticas,
- Formas de atividades produtivas e no acesso aos recursos,
- Desigualdade entre homens e mulheres na partilha de poder e tomada de decisões em todos os níveis,
- Mecanismos insuficientes em todos os níveis para promover o avanço das mulheres,
- Inadequada promoção e proteção dos direitos humanos das mulheres,
- Estereotiparão das mulheres e desigualdade no acesso destas a todos os sistemas de comunicação,
- Desigualdades de gênero na gestão dos recursos naturais e na proteção do meio ambiente,
- Discriminação persistente e violação dos direitos da criança do sexo feminino.
Em
2000, 189 nações firmaram um compromisso para combater a extrema pobreza e
outros males da sociedade no que ficou conhecido como a Cúpula do Milênio da
ONU. Foi estabelecido 8 Objetivos de desenvolvimento do Milênio – ODM, para
serem alcançados até 2015, e dois destes, tratava especificamente de questões
relativas a gênero: o ODM 3 (Igualdade entre os sexos e autonomia das mulheres)
e ODM 5 (melhorar a saúde materna).
Em
2015 por ocasião da Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento
Sustentável, foram adotadas os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS,
também conhecidos como Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, ou
Agenda 2030, que orientou as políticas nacionais e as atividades de cooperação
internacional para os 15 anos seguintes. O framework dos ODS é composto por 17
objetivos e 169 metas. Mas é o ODS 17.18 de relevância para este relatório.
Diz: “(...) aumentar significativamente a disponibilidade de dados de alta
qualidade, atuais, e confiáveis, desagregados por renda, GÊNERO, idade, raça, etnia,
status migratório, deficiência, localização geográfica e outras características
relevantes em contextos nacionais, tornando-se uma grande conquista,
principalmente no campo de dados.
Amplia-se
assim, o número de indicadores passíveis de análise sob a perspectiva de gênero
para além da ODS 5, apontando para a transversalidade da análise do sistema e
evidenciando as desigualdades conjugadas e cumulativas quanto analisa-se
indicadores de gênero associados as demais variáveis de desagregação propostas.
Dentre
todas as ações internacionais que passaram a ser desenvolvidas em atendimento
aos Objetivos do Milênio, a primeira reunião da CRPD – Confrencia Regional
sobre População e Desenvolvimento, que ocorreu no Uruguai, em 2013, tendo como
objetivo examinar o progresso desta agenda na América Latina e no Caribe nos
últimos 20 anos e identificar passos fundamentais para reforçar a sua
implementação, com ênfase nas questões regionais. Esta reunião, também
conhecida como O Conselho de Montevidéu, indicou 10 medidas prioritárias que os
países signatários, incluindo o Brasil, se comprometem a monitorar por meio de
um conjunto de indicadores. De uma forma geral, a discussão concernente às
questões de gênero na América Latina e Caribe tem se dado de forma mais ampla e
progressista que em nível mundial.
No
Brasil, esta série histórica de recomendações e diretrizes internacionais,
associadas a conferências e fóruns de discussão nacionais e regionais sobre
políticas para as mulheres resultou na criação, em 2003, da Secretaria Especial
de Políticas para as mulheres e na elaboração do I Plano Nacional de Políticas
para as Mulheres, em 2004. Em 2007, ocorreu a II Conferência Nacional de
Políticas para as Mulheres, que sistematizou um conjunto de propostas e demandas
aos estados brasileiros resultando no II Plano Nacional de Políticas para as
Mulheres. A III Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, deu origem
ao PNPM com vigência de dois anos.
Contudo,
os indicadores mostram que há ainda muito a se percorrer para que esse objetivo
se concretize, considerando todas as dimensões que envolvem e reforçam as
iniquidades históricas entre homens e mulheres.


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