Percebo que existe uma mudança considerável na dinâmica do conhecimento científico, em que muitas variáveis devem ser consideradas para não tratar o assunto de maneira simplista e assim, com proposições bem escritas, porém rasas.
"Sou de hoje e de outrora, disse então; mas há algo em mim que é de amanhã e de depois de amanhã e do porvir. Cansei-me dos poetas, dos velhos e dos novos: Superficiais ele todos são para mim, mares rasos.
Não pensaram bastante das profundezas: com isso seu sentimento não mergulhou até o fundo. Alguma volúpia e algum tédio: ainda é isso o melhor das suas reflexões. Um sopro e um deslizar de fantasmas me parecem todos os seus harpejos; que sabem eles até hoje do ardor dos sons! Para mim tampouco são bastante puros: turvam todas as suas águas, para que pareçam profundas. (grifo meu). E gostam de se apresentar como conciliadores; mas para mim permanecem mediadores e misturadores e meio isto e meio aquilo, e impuros!" - NIETZSCHE, Friedrich. "Also sprach Zarathustra", 1954, p.381-384.
Após a leitura dos artigos, fica a conclusão que atualmente, a academia está exposta a trabalhos com fontes não confiáveis e a incorrer em plágio. Verdades óbvias que além de não propor uma solução para o problema, deixa-o solto, sem perspectiva de elaboração.
Devemos considerar que houve uma mudança no comportamento das relações humanas advindos com a internet. O indivíduo passou a olhar para si e para o outro, e a se relacionar com o mundo de uma maneira completamente diferente. De forma que não podemos esperar que padrões tradicionais, mesmo de pesquisa científica, se sustentem na era "Google". O objetivo de uma pesquisa científica é a solução para os problemas e questões humanos (ou deveria ser). Primeiramente, aceitar que a internet agiliza os conteúdos é fundamental. Mas estes serão sempre dados que a partir de determinado momento, estando combinados dentro do pesquisador, ainda que seja o mesmo assunto, haverá um olhar diferente e contundente.
A questão das fontes não confiáveis, caem por terra quando o meio é mais importante que o final. Não estou dizendo que uma pesquisa não deva haver a preocupação de fontes confiáveis. Estou dizendo que apenas isto não é o bastante. Rebeca Emerich Loreti, Clayton Franklin Queiroz, Luciana Rocha Cardoso, Roney Soares Brandão, Andréia Almeida Mendes no primeiro texto dizem que "ATUALIDADE: verificar a data da publicação, principalmente em casos de dados estatísticos e opiniões tecnológicas.", contudo, citam por várias vezes Faqueti (1999) como referência de conteúdo. Eles escreveram o artigo em 2017, ou seja, usando uma referência de 18 anos. Não critico o status quo da informação. Eu mesma citei um livro de 65 anos de Nietzsche inicialmente. Estou levantando a questão que, se tratando de um assunto cujas informações são instantâneas como no caso da internet, os elaboradores do belo artigo, para mim, se contradisseram. ‘-Mas é uma referencia apenas!’ Muitos poderão argumentar. Sim, mas com toda certeza, há referencia mais atualizada que a usada de Faqueti de 1999 sobre o tema internet. A referência poderia ser desta mesma acadêmica, pois tem um artigo de 2017 sobre a gestão do conhecimento nas Bibliotecas das IES – Instituições de Ensino Superior, que fala que “Finally, it is recommended further studies to deepen the debate, it is necessary to seek new organizational structures or rethink it in order to facilitate the development of a more innovative and creative management. (Por fim, recomenda-se aprofundar os estudos para aprofundar o debate, é necessário buscar novas estruturas organizacionais ou repensá-lo, a fim de facilitar o desenvolvimento de uma gestão mais inovadora e criativa)”.
E o texto dois fornece dados antagônicos, contraditórios ou mentirosos. Diz que a pesquisa é de fevereiro de 2009, contudo, os gráficos datam de 2008. Os gráficos são a interpretação da pesquisa. Não faz o menor sentido serem elaborados antes desta.
Enfim, não adianta escrever certo a coisa errada. “Turvam-se as aguas para parecerem profundas!” Deve-se estimular hoje no pesquisador, um profundo sentimento de responsabilidade com o conhecimento. De responsabilidade com o seu saber construído, antes mesmo de ensinar como expressá-lo por meio de regras e normas padronizadas para que seja efetivado e reconhecido como conhecimento científico.
De forma que, esta é de fato a cerne da preocupação quanto a fontes não confiáveis e ao plágio. A primeira, o pesquisador tem que receber a educação do olhar crítico e preocupação com a verdade. Quanto a segunda, é uma questão de moralidade, por isto que plágio é crime.
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