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“Pode-se ter três objetos principais
no estudo da verdade: um, descobri-la ao procura-la; outro, demonstrá-la ao possuí-la;
o último, discerni-la do falso ao examina-la.” – Pascal (p. 11)
Blase Pascal, físico,
matemático, filósofo e teólogo francês nasceu em Clermont-Ferrand, em 19 de
junho de 1623, e faleceu em 19 de agosto de 1662, em Paris aos 39 anos.
Pascal em seu tratado sobre
o Espírito Geométrico demonstrou, o que lhe parecia a forma mais eficiente na
época, precisar um método que provasse a verdade de forma regular no sentido
mais amplo desta palavra.
Primeiro, não empregar termos
que de antemão não tenha explicado o sentido e, em segundo não adiantar
qualquer proposição de que não tenha sido demostrada por verdades conhecida. Assentemos
um instante nestas duas afirmações.
Ao postular uma pesquisa ou
teoria, recomenda Pascal que não empregar nenhum termo (vocábulo, palavra,
expressão, locução, frase, sentença ou oração) que não tenha sido explicado o
sentido. A cautela está na explicação prévia da citação feita. Embora pareça
ato elementar na conduta de pesquisa, a admoestação é pertinente ainda para os
nossos dias.
Para alguns pesquisadores
que estão familiarizados com seu problema de pesquisa, escrever como se tal
busca de conhecimento não existisse no início do trabalho, sem deixar o caráter
acadêmico da dissertação cair na construção comum, é um grande desafio a ser
superado. Aqui podemos atualmente apontar os objetivos de pesquisa, que devem ser
previamente explicitados.
Em segundo, a hipótese deve
ser conhecida como uma verdade comum a todos ou demonstrada previamente. A
proposição e o problema de pesquisa qual se busca responder no estudo, são coisas
distintas.
Definiu-se dois aspectos que
uniremos em um: sempre escreva algo que já esteja esclarecido previamente e, não
pode haver um problema de pesquisa que não faça parte da vida social das pessoas,
grupo de pessoas ou civilização, em qualquer época ou região no mundo.
Esclarecido estes dois aspectos
iniciais, que retratado a um paralelo dos tempos atuais, Pascal explica o que
ele entende por definição. Pascal refere-se apenas das “definições de nome,
isto é, somente as únicas imposições de nome às coisas que foram claramente designadas
em termos perfeitamente conhecidos” (p.14).
Isto é uma admoestação para utilização
de palavras nas pesquisas científicas, quando de sua defesa, que estas não gerem
dúvidas ao leitor do conteúdo. Uso de palavras que signifiquem exatamente o que
devem significar, não deixando margens a interpretação paralela ou uma compreensão
limitada do conteúdo.
Contudo Pascal também
adverte a exceção desta regra quando diz “nada há de mais permitido que dar a
uma coisa, que foi claramente designado, um nome que se quiser. Deve-se somente
tomar cuidado de não abusar da liberdade que se tem de impor nomes, dando o
mesmo nome a duas coisas diferentes” (p.14).
Dado como uma espécie de
erro ou “vício”, a utilização de palavras iguais em estudos e ocasiões diversas,
com significados distintos, pode ser corrigido pelo escritor ao utilizar
mentalmente a definição no lugar da palavra.
O matemático usa um exemplo para
demonstrar este método, a definição de “par”. Matematicamente “par” costuma ser
ao que Pascal define com “aquele que é divisível em duas partes iguais[...]”,
de forma que independente do contexto, ao utilizar o termo “par” o pensamento lerá
como divisível por dois.
Evidentemente Pascal
discorre sobre o espírito geométrico, logico e matemático. Contudo existem além
dos estudos de exatas, conhecimentos mais aprofundados no que se chama hoje de
Ciências das Humanidades. E este é primeiro obstáculo para construção dos
textos acadêmicos dentro do método pascalino, pois não existe nada menos
linear, ilógico e consagradamente lírico que o pensamento humano.
Contudo sua admoestação não está
perdida, mesmo porque para Pascal reconhece que existe a liberdade e a
possibilidade de se dar as coisas o nome se quiser. Podemos aplicar esta regra pascalina
no contexto de nosso discurso, ajudando até mesmo evitar as repetições das palavras.
Tomemos o mesmo exemplo “par”
utilizado por Pascal na seguinte frase: Aquele par estava a par que o resultado
deveria ser um par, para que a justiça fosse feita. Ao substituirmos o termo
pelo significado temos: Aquele casal de velhinhos estava ciente que o resultado
deveria ser divisível por dois, para que a justiça fosse feita.
Considerando a temática do
conteúdo a ser escrito, esta admoestação é pertinente. Se o meu conteúdo aborda
os casais idosos, pode-se utilizar ‘par’; se a relevância está na certeza, consciência
ou saber de, estar a par é utilizado sem problemas; tal qual se o discurso estiver
no resultado, em ideia matemática, usar o que Pascal defini por par é
praticável.
Sendo assim, ainda cabe absorver
esta admoestação de Pascal da utilização de palavras dentro de uma pesquisa. A compreensão
dos termos para os que lerem, deve ser comum e inconfundível, e na dúvida,
aplica-se a regra pascalina: substitua a definição no lugar do definido.
Bibliografia
Do espírito geométrico:
pensamentos / Blase Pascal; tradução Antonio Geraldo da Silva. – São Paulo;
Lafonte, 2018. Título original: De l’esprit géométrique.

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